No ano de 2002 a Distribuidora Careaga de jornais e revistas, com 85 anos de trajetória no meio, compra um local para suas atividades comerciais na Cidade Velha de Montevidéu. Na parte posterior do prédio, existia um galpão de 10 m. x 12 m. construído na década de 40 com teto de fibrocemento apoiado sobre tirantes de madeira. A característica principal desta construção era a existência de um sub-solo com dois amplos locais, separados por uma espessa parede e interligados, que evidenciavam uma idade muito avançada, talvez de fins do século XIX ou inícios do século XX. O acesso a eles era por uma escada de concreto armado construída presumivelmente durante uma reforma feita em 1976.

Os tetos dos dois locais do sub-solo, que constituíam o piso do galpão principal do térreo, eram de madeira com tirantes do mesmo material e de abobadilhas de tijolo e ferro. Este galpão era um depósito da empresa Trabucatti e, anos depois, foi utilizado por uma fábrica de anilinas. Como resultado deste último destino, todo o local em seus dois níveis apresentava uma avançada deterioração em pisos e rebocos devido, particularmente, à ação destrutora das anilinas e porque se inundava continuamente.

O escritório de arquitetura Crocco-Lacroix aconselha a intervenção do Eng. Quím. Mario Delbracio que sugeriu uma série de medidas de higiene ambiental, entre as quais a impossibilidade de recuperação das madeiras originais devido a seu alto grau de toxicidade.

 

Diversas perícias realizadas nos elementos principais da estrutura, deram como resultado um estado de deterioração muito avançado, imperceptível à primeira vista, e que impedia que essas estruturas, ainda firmes, pudessem sustentar as cargas exigidas, projetando-se assim novos suportes.

 

E foi ali, quando já estavam sendo demolidas as estruturas que iam ser substituídas, que aconteceu um fato que deu um novo rumo ao projeto. Ao iniciar o picado do reboco que em algumas áreas superava os 10 cm., foram surgindo pedras da antiga muralha de Montevidéu, apoiadas sobre o cristalino do terreno natural. Nada fazia supor que essa parede rebocada, com vigas de madeira e ferro e atravessada por encanamentos sanitários, pudesse ser um vestígio colonial. Segundo a bibliografia consultada, o prédio está localizado a poucos metros da esquina das ruas Bartolomé Mitre e 25 de Maio, lugar onde estava situado o antigo portão de São Pedro, entrada principal da cidade colonial.

 

Este "descobrimento" deu lugar a uma nova revisão do projeto e a uma resignificação do espaço, considerando que a exposição de um trecho da muralha colonial é uma iniciativa pouco comum em nossa cidade e que ele deveria ser preservado ao máximo.

O processo de recuperação deste trecho da Muralha, demandou muitas horas de esforço, dedicação e trabalho de muitas pessoas, mas principalmente uma grande dose de sensibilidade compartida. É por isso que hoje, com muito orgulho, o apresentamos à comunidade.

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